
Assisti ao filme "Alice no País das Maravilhas" no último fim de semana. Mais uma produção visionária do diretor Tim Burton com seu elenco habitué e a presença inédita de Anne Hathaway (é assim que se escreve?). Acredito que a atmosfera onírica, própria do surrealismo é muito bem caracterizada na obra, que não deixa a desejar na adaptação do romance de Lewis Carroll. A história que traz as lembranças dos sonhos de Alice na infância, são detonados no momento em que a personagem é confrontada por todos e precisa decidir quanto a um futuro casamento "arranjado". Eis a hora em que ela evade. Nessa fuga, acaba por cair no seu sonho de infância. Tal sonho parece revelar, numa espécie de jogo (diga-se de xadrez), que cada obstáculo podem mostrar a maturidade da personagem ao longo da história e de sua própria vida. O filme se aproveita de outra obra do autor, "Alice através do espelho", quando menciona o personagem Jabberwocky, daí uma intertextualidade visível na obra.A ideia de deformação presente, por exemplo, na caracterização da rainha vermelha, com sua cabeça exageradamente grande, também nos remete ao surrealismo. Depois de muitas aventuras, cenas em que a protagonista cresce demais ou encolhe, nos revela nessa espécie de universo paralelo uma Alice amadurecida, que volta para a realidade e toma decisões avançadas para uma mulher na época. Penso que a obra pode ser recomendada para faixas etárias a partir de 14 anos, uma vez que ela apresenta aspectos distantes do alcance das crianças.
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